"É que esta tudo tão confuso meu amor. O pão acabou, o café esfriou e o coberto se rasgou. Nossa musica não toca mais na rádio e o passarinho fugiu da gaiola. Eu não sei mais escrever prosa e a poesia não há mais em mim… Talvez eu esteja precisando um pouco de “eu te amarei” ou talvez de um “estarei segurando sua mão”. Não sei, é que esta tudo tão confuso, tão clichê que o texto murcha que mal dá tempo de regar. É lúgubre meu amor. A caixa d’água secou, à noite esfrio e a luz apagou. Não dá mais para viver assim, na ponta de um penhasco, na beira de um suicídio, no arribar de um não acordar. Você é tão tudo, tudo, tudo que no fim me transformei em um nada. Em um naufrágio que o povo desconhece. Em um universo sem estrelas que o infinito não há. Em a saudade da distancia que do romance nunca existiu… Estou fraco e não sei me levantar sem por as mãos nos joelhos para erguer a cabeça. Não jogue mais margaridas em meu jardim que as rosas já não fazem mais sinfonia. E eu estou só. Sem nossa musica na rádio para tocar, não tem pão e nem café na mesa, e de não agüentar tanta tristeza, meu passarinho resolveu voar, e nunca mais voltar…" ▼
Pedro Igor F. (via
inviavel)
(Source: orfao, via inviavel)
"Escrita bonita é a espontânea; é a que se aloja no pensamento por dias e brada quando está pronta pra tornar-se em linhas. Que não tem o interesse em ser salutar; entrega-se por completo à sensação que a fez nascer, seja ódio, rancor, decepção, amor, amargura, ou loucura, sem o interesse em fazer bem, muito pelo contrario, se o seu preço for a piora, eleva-se o grau do interesse. Não é fácil entender esta arte, não é. Ela não faz questão de ser entendida e, por isso, quando é, triplica-lhe a beleza. É oriunda da vivência, é a que vem da experiência, dos caminhos passados, das feridas cicatrizadas (e também das abertas), da insatisfação e da vontade. Poetas têm um filtro: escrevem mediante o desejo, a vontade incontrolável, escrevem quando a paixão arde, quando a dor adormece no corpo, quando a alegria lhe sorri inteiro, só então escrevem. Não decidem escrever: agarraram-se, sem saber como e por qual razão, à esta arte de mistério, que só se manifesta quando não lhe é mais possível guardar. Necessitam escrever sobre o caminho de volta, sobre o vizinho da casa ao lado e sobre Deus. Vê a complexidade do que é simples e a superficialidade do complexo. Escrita bonita nasce assim, e o seu poder de convencimento é tamanho que, depois de lida, a vista muda. Nada mais é igual. Pseudo escritores não conseguem nada além de uma escrita espúria; ainda que juntem todas as palavras bonitas num texto só, ele sempre estará vazio de alma. Escritor de verdade dá um “merda” e faz poesia. E essa poesia passeia de alma em alma." ▼
Quézia S. (via
inviavel)
(Source: ummilhaoemuma, via inviavel)